A leviandade do pensamento do incrédulo

pullover listado

     Encontrava-me um dia sentado em frente dum homem que eu tinha alcunhado de “listado”, por causa do padrão de listas do seu pullover. Ele era um homem forte e robusto, semelhante a um barco de guerra. A esposa tinha-lhe morrido durante um ataque aéreo; e os seus dois filhos, em combate. Pobre amigo! Eu tinha ido fazer-lhe uma visita nesse dia, mas logo que me sentei ele começou a afrontar-me: “Pregador Busch, cale-se lá com a sua religião! Já vi muito na minha vida e agora não acredito em nada.”

     Eu ri-me e disse: “Isso é impossível. O senhor anda de combóio de vez em quando, não é verdade?” “Sim, ando.” “Suponho” – continuei – “que sempre que o faz vai ter com o maquinista para que ele lhe mostre o certificado do curso!” “É claro que não!” – foi a resposta. “Tenho a certeza de que a companhia dos caminhos de ferro só usa maquinistas que...” “O quê?!” – interrompi eu – “Quer dizer que entra num combóio sem se certificar antecipadamente de que o maquinista tem as habilitações necessárias para dirigir o combóio? Põe a sua vida nas mãos dele, sem a mínima garantia? Bem, sabe que pôr a vida nas mãos de alguém é ter fé? Por isso, faria bem em não voltar a dizer que não acredita em nada. Deve antes dizer: “Não creio em nada, excepto nos caminhos de ferro!” “Ah...!”

     Continuei a fazer-lhe perguntas. “Vai alguma vez à farmácia?” – perguntei. “Sim,” – respondeu – “sofro de dores de cabeça e tenho de ir à farmácia comprar comprimidos.” “Sabe naturalmente” – disse eu – “que alguns farmacêuticos têm dado veneno aos seus clientes, por engano. Suponho, portanto, que manda analisar os comprimidos antes de os tomar!” Ele respondeu – “Não, Pregador Busch. Um farmacêutico diplomado conhece a sua profissão. Ele não me faria uma partida dessas a mim.” “O quê?!” – perguntei eu, estupefacto – “Então, toma comprimidos sem os analisar primeiro? Confia a sua vida a um farmacêutico? Toma os comprimidos sem a mínima suspeita? Bem, eu chamaria a isso de fé. Meu amigo, deixe de dizer que não acredita em nada. Diga antes: “Não acredito em nada – excepto nos caminhos de ferro, e nos farmacêuticos.”

     Continuarei a mostrar exemplos. Por fim, falei-lhe da minha própria experiência. “Um dia, eu encontrei o Senhor Jesus Cristo, aquele que Deus nos enviou. Sim, Jesus, que ressuscitou de entre os mortos e que ainda tem as marcas dos cravos nas mãos. Essas marcas mostram de modo eloquente que o Seu amor foi tão grande que o levou a dar a vida por mim. Jamais alguém deste mundo fez tanto por mim como o Senhor Jesus Cristo! Ninguém é mais digno da minha confiança do que Ele. Pensa que o Senhor Jesus Cristo alguma vez disse uma mentira, uma só que fosse?” “Não” – foi a resposta. “Eu não posso dizer isso de qualquer outra pessoa, mas nesse dia, há muitos anos, disse para mim próprio: “Podes entregar a tua vida ao Senhor Jesus Cristo. Ele é digno de toda a confiança.” E foi isso mesmo que eu fiz!”

     “É assim tão simples?” – perguntou o homem. “Sim,” – disse eu – “tão simples como isso. Confia em todo o tipo de pessoas à sua volta – excepto no Senhor Jesus Cristo. E, afinal, ele é o único que merece toda a nossa confiança. Liberte-se, pois, dos falsos raciocínios em que a sua incredulidade se apoia e entregue então a sua vida ao Senhor Jesus Cristo”.

(Wilhelm Busch; Jesus Nosso Destino; Núcleo; pp. 66)

  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário