Ingersoll e Beecher

 

Ingersoll and Wallace

     O coronel Ingersoll (foto ao lado) era o mais conhecido céptico nos Estados Unidos da América. Henry Ward Beecher era ali igualmente célebre, sendo reconhecido como um dos mais eloquentes oradores cristãos.

     De um jornal antigo copiámos o seguinte:

     “Um dia o Coronel Ingersoll achou-se na companhia de Henry Ward Beecher. Havia 5 ou 6 cavalheiros reunidos, todos eles homens de nota no mundo literário. Discutiu-se uma variedade de tópicos com vivacidade e brilho, mas não houve qualquer referência à religião. O distinto céptico era demasiadamente prudente para apresentar o seu tema predilecto, mas afinal um dos assistentes, desejando presenciar uma palestra entre Ingersoll e Beecher fez uma alusão graciosa às ideias heterodoxas do Coronel. Esse em seguida defendeu-as com a sua acostumada habilidade, e tornou-se até eloquente. Ele foi contestado efectivamente por vários dos cavalheiros, mas contrariamente à expectativa, o sr. Beecher ficou sério e sem tomar parte na discussão.

     O cavalheiro que tinha apresentado o tópico na esperança de que o sr. Beecher responderia ao Coronel Ingersoll, observou afinal:

     «O sr. Beecher não tem nada que nos dizer sobre esta questão?»

     O ancião vagarosamente ergueu a cabeça e respondeu:

     «Nada; e se me desculpam que eu mude de assunto da conversa, direi que enquanto os senhores conversavam, o meu pensamento estava preocupado com uma cena deplorável que hoje mesmo presenciei.

     «O que foi?» imediatamente perguntou o Coronel Ingersoll, que apesar das suas ideias esquisitas sobre o porvir, era conhecido pela sua bondade de coração.

     - «Pois»» disse o sr. Beecher, «enquanto eu passeava hoje, vi um pobre coxo, usando muletas, que com bastante dificuldade tentava atravessar a rua transformada num perfeito lamaçal. Quando ele se encontrava justamente no meio da rua, um sujeito bem grosso e forte, ele mesmo todo enlameado, atirou-se contra o coxo, furtou-lhe as muletas, e abandonou-o, caído e sem forças, num  atoleiro que quase o afogava.»

     «Que grande bruto!», disse o Coronel.

     «Que grande bruto!», repetiam todos os outros.

     «Sim, senhor», disse o velho, levantando-se da cadeira e afastando da testa o cabelo branco, enquanto fitava o Coronel. «Sim, senhor coronel, esse homem é o senhor mesmo. A alma humana é coxa, mas o cristianismo dá-lhe muletas para ajudá-lo a atravessar o caminho da vida.

     «É o ensino do senhor que lhe furta essas muletas e o deixa num naufrágio, sem forças nem alento, no lamaçal do desespero. Se o seu intuito é roubar à alma humana o seu único apoio — o Cristianismo — não o invejo. Para construir um edifício, é preciso um arquitecto; basta um incendiário para o reduzir a cinzas».

     O ancião sentou-se, e houve um longo silêncio entre o grupo. O Coronel Ingersoll reconheceu que tinha encontrado um superior na arte da ilustração em que primava, e calou-se. Pouco depois o grupo dispersou.

     Só para recordar, o Coronel Ingersoll era amigo do General Lewis Wallace (1827-1905), tendo-o convencido a escrever contra o Cristianismo. Lew Wallace, um famoso general e génio literário, era igualmente um ateu conhecido. Por dois anos Wallace estudou nas principais bibliotecas da Europa e América procurando informações que destruíssem para sempre o Cristianismo. Enquanto redigia o segundo capítulo de um livro que ele planeava escrever, subitamente encontrou-se de joelhos chorando e clamando por Jesus, dizendo: "Meu Senhor e Meu Deus." Nas pesquisas que fez com esse propósito, Lew Wallace, como era mais conhecido, chegou à conclusão que Cristo e a Sua ressurreição tinham sido reais, tendo-se convertido a Ele. Por causa das evidências sólidas e irrefutáveis, ele não podia mais continuar a negar que Jesus Cristo era o Filho de Deus. Mais tarde, Lew Wallace escreveu "Ben Hur", considerado um dos melhores romances ingleses, jamais escrito sobre a época de Cristo.

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