Fé morta

crstam.jpg     Nada na Bíblia é declarado com maior clareza ou com maior ênfase do que a bendita revelação Paulina da justificação pela graça, por meio da fé, sem as obras.

     Rom. 4:5: “... àquele que não pratica, mas crê ... a sua fé lhe é imputada como justiça.” Efé. 2:8,9: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé ... é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” Tit. 3:5: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou ... .”

     No entanto Tiago declara com igual clareza que “... a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tia. 2:17). Ele desafia os crentes professos: “...mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé PELAS minhas obras” (Ver. 18), e declara que “que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé” (Ver. 24), uma vez que “... a fé sem as obras é morta ...” (Ver. 20).

     Alguns têm imaginado aqui uma contradição, quando na realidade não há. Existe uma distinção dispensacional, pois a Paulo tinha sido confiada “a dispoensação da graça de Deus” (Efé. 3:1,2). A sua pregação era “a palavra [pregação] da cruz” (1 Cor. 1:18), oferecendo a salvação pela graça, por meio da fé apenas, a todos os que confiassem em Cristo como Salvador.

     Tiago, por outro lado, era um apóstolo do reino, proclamando os direitos reais de Cristo e oferecendo um modo de vida transformado na terra que já tinha sido experimentado pelos discípulos na Judeia (Act. 2:44-47; 4:32-35).

     Assim, com Tiago a ênfase está nas obras, não porque as boas obras possam salvar ou mesmo ajudar a salvar, mas porque a verdadeira fé dá inevitavelmente fruto e nós podemos julgar a verdadeira fé apenas pelo fruto que ela dá. O nosso Senhor disse: “pelos seus frutos os conhecereis.” Assim a epístola de Tiago abunda com fraseologia como “Vedes,” “mostra-me,” “eu te mostrarei,” etc.

     O que temos de ter cuidado em nos lembrar é que de acordo tanto com Paulo como com Tiago, a fé vem primeiro, as boas obras depois. A fé é a raiz, as boas obras o fruto. A ausência de fruto indica que a raiz está morta, que apesar de poder haver um assentimento ou aceitação intelectual, não há nenhuma verdadeira fé de coração, e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Heb. 11:6).

     A fonte da justificação é a graça; a base, o Calvário; o meio, a fé e a evidência, as obras. Pense bem nisto; aceite a graça de Deus e confie no Senhor Jesus Cristo como seu  Salvador e Senhor. Ele levá-lo-á a produzir bom fruto.
 

em Two Minutes With The Bible (Dois Minutos Com a Bíblia)
Cornelius R. Stam

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