Compreendendo e alcançando os jovens sem igreja
O seguinte artigo é uma parte do treino que Jonathan dá às igrejas e líderes de jovens nos Estados Unidos.
O Burger King perto de minha casa foi simplesmente à falência. Sempre que eu lá ia, as pessoas por detrás do balcão eram sempre incorrectas e só se importavam consigo mesmas. Muitas vezes, quando eu tentava pedir o meu menu nº 3 sem pickles, o caixa virava costas e começava a discutir com o “rapaz das batatas”. Muitas vezes os clientes ficavam à espera para serem servidos, enquanto o gerente resolvia o problema de horários mais recentes, ou mesmo uma luta de empregados. Bem, não faltou muito para que fossem à falência.
E eu sei porquê.
Eles esqueceram-se da razão porque é que estavam ali. Esqueceram-se que a principal razão para uma cadeia de lojas de fast-food existir, não é estar preocupado com o que se passa por detrás do balcão. A principal razão porque existem, é o fornecimento de comida às pessoas que lá vão, do outro lado do balcão.
Tristemente, isto também pode ser verdade na igreja hoje. Distraímo-nos tanto com o que se passa dentro das paredes da igreja, pastoreando os nossos ... que nos esquecemos das pessoas que estão fora. Esquecemo-nos que uma das principais razões para a qual existimos neste planeta é sermos embaixadores da parte de Cristo.
Então como alcançamos aqueles que não vêm para dentro das paredes da igreja? Como alcançamos os que “estão do lado fora”? Ou mais especificamente, como líderes de jovens, como alcançamos os jovens “sem igreja”?
Antes de os alcançarmos, precisamos de os compreender.
Compreendendo os sem igreja
1. O adolescente “sem igreja”, crê que todas as fés religiosas têm valor. A nossa sociedade criou uma geração que é “tolerante” a todas as crenças, e consequentemente uma geração que não consegue compreender porque todos os caminhos não levam a Deus. “Porque é que o Scott e a Reza não podem os dois estar certos? Eles são ambos pessoas fixes!”
Muitos adolescentes hoje tornaram-se universalistas. Por exemplo, 30 % dos adolescentes crêem que as religiões na prática estão todas a orar ao mesmo Deus, apenas usando nomes diferentes para Deus (1999).
Os exemplos que os adolescentes seguem têm opiniões semelhantes. A actriz Kirsten Dunst que participou no filme Spiderman (O Homem Aranha) disse “Eu penso que muitas pessoas estão a perder a sua religião. Definitivamente. Mesmo eu, sei que enquanto crescia, costumava ir à igreja todos os Domingos, e agora é só nos feriados especiais. Mas eu penso que enquanto tivermos a nossa própria crença, mesmo que seja meditação – qualquer coisa que te ajude a concentrar na vida, é bom. Se eu oro? Sim, claro que sim.” – Actriz Kirsten Dunst, Rolling Stone, 23 de Maio de 2002, p. 69
2. O adolescente “sem igreja” é altamente espiritual, mas não quer algo a controlar a sua vida!
Os crentes do presente assumem incorrectamente que as pessoas “sem igreja” devem ser ateus. Mas na realidade, a maioria das pessoas é muito espiritual, mas não pretendem deixar de controlar as suas próprias vidas. Alguns jovens pensam “Eu creio em Deus – Acho que um deus não se importa que eu durma com a minha namorada!”
George Barna, em 26 de Agosto de 2002 no seu “Barna Update”, refere que os Estados Unidos “são uma nação em que a maioria das pessoas se chama a si própria “profundamente espiritual” e onde 4 em 5 adultos dizem que a sua fé religiosa é uma parte muito importante de suas vidas.
Mas, no total, 83% dos adolescente crê que a verdade moral depende das circunstâncias, e só 6% crê que a verdade moral é absoluta. (2001) Só 13 % dos Americanos ainda acredita nos 10 Mandamentos. E só 7% dos adolescentes diz que as suas escolhas morais baseiam-se em princípios bíblicos.
Os exemplos que os jovens seguem, também são muito claros sobre este assunto:
“A minha avó é muito religiosa, e eu fui à Catequese. Mas eu agora sou tipo ex-Católico. Sou uma pessoa muito espiritual, mas tenho muito pouca religião.” – Actor Josh Harnett respondendo a uma questão sobre religião para a revista YM, Junho 2002, p. 111.
“Eu ainda vejo o hip-hop como uma religião, mas mais algo do tipo Budista, e não algo extremista e fundamentalista. É uma lente pela qual eu vejo todas as coisas: culturalmente, politicamente, ideologicamente...” – monge Hip-hop Josh Davis, conhecido como DJ Shadow, Spin, Julho 2002, p. 97.
“Eu adoro Deus. Religião e adoração são 2 coisas diferentes para mim. Religião é seguir o livro. Eu creio que muitas pessoas confiam no texto: OK, ele diz para fazeres isto e diz para fazeres aquilo, pois se fizeres isto, isto, e aquilo, então eu posso sair e fazer o que me apetecer, mesmo que seja errado, porque eu fiz isto, isto e aquilo. Deus é o meu melhor amigo. Eu falo com Deus todos os dias. E ninguém me pode dizer como falar com Deus, nenhum sacerdote maometano, nenhum padre, nem rabi, nem pastor.” – Artista Hip-hop Eve, revista Complex, edição de Setembro/Outubro 2002, p. 94.
3. Os jovens “sem igreja” não sabem o que é o Cristianismo.
Dois em cada três (67%) adultos “sem igreja”, chamam-se a eles próprios de Cristãos (2000). Mas 46% dos “sem igreja” nem sequer sabem porque celebramos a Páscoa. Quando ouvimos alguém dizer que é Cristão, assumimos que eles examinaram a fé cristã. Assumimos que entregaram sua vida a Jesus, o único caminho para Deus.
A maioria dos “sem igreja” vêem hoje o Cristianismo como uma herança, e não como um relacionamento com Deus. Eu falava com um estudante descrente em sua casa, quando a palavra “Cristão” surgiu no meio da conversa. Ele respondeu rapidamente, “Oh, eu sou um Cristão.” E eu perguntei, “Ainda bem, e quando é que te tornaste um Cristão?” Ele olhou para mim confuso, e gritou para a sua avó no outro quarto, “Vovó, eu sou um Cristão?”. Ela gritou de volta, “Não! És Presbiteriano!”
Muitos jovens “sem igreja” não sabem o que são. Só sabem que são o que suas mães lhes disserem que são.
· 64% dos adultos (nos Estados Unidos) “sem igreja” crê que uma boa pessoa pode ganhar o seu lugar no Céu. (2000)
· Três em cada cinco adolescentes nos Estados Unidos (61%) crê que “se uma pessoa é boa na generalidade, ou faz coisas boas pelos outros, em número suficiente durante a sua vida, pode ganhar o seu lugar no Céu (2000).
· Em 1999, 82% dos adolescentes nos Estados Unidos diziam-se Cristãos.
4. Os adolescente “sem igreja” não sabem no que crêem.
A Britney Spears disse à revista alemã “Cinema” que tem uma noção clara de Deus. No grande além, “todos estão em paz e felizes, e todos saltam de nuvem em nuvem. No céu tu podes ver os teus avós e ver todas as pessoas que amaste. E um velho homem com uma longa barba branca, que passeia por lá - esse é Deus.”
Eu nunca esquecerei uma conversa que tive com um universitário chamado “Tiago”. Tiago sempre pôs em questão Jesus ser o único caminho. Ele tentava perturbar-me, pondo em questão a minha fé, e quando lhe perguntei, “Tiago, e tu, em que crês?”, ele parou por um momento e pensou. Depois começou a deitar para fora as suas crenças, muito atrapalhadamente. “Eu penso que há algo – como um vapor ou qualquer coisa – que controla tudo. Este vapor é poderoso, mas deixa-nos fazer o que quisermos. Ele não se importa se fazemos mal ou não – mas pode-nos ajudar se nós quisermos. Mas também... Acho que vê quem é bom... mas... sabes... “ e depois parou, totalmente confuso e disse, “Não soa isto estúpido?”
51% dos americanos não tem filosofia de vida. Os “sem igreja” com que trabalhamos podem parecer seguros de que não querem Jesus, mas na verdade eles não sabem o que querem. Eles só querem algo que preencha o vazio que sentem.
5. O adolescente “sem igreja” procura algo que preencha o vazio que sente.
Anos atrás, Madonna disse o seguinte numa entrevista: “Eu tenho uma vontade férrea, e toda a minha vontade tem sido sempre devotada em conquistar alguns sentimentos terríveis de imperfeição Estou sempre a lutar com esse medo. Eu ultrapasso um desses momentos, e descubro-me como sendo alguém com valor, e depois passo por outra fase em que penso que sou medíocre, desinteressante e sem valor, e tenho que encontrar de novo uma forma de me libertar desses sentimentos, vezes e vezes sem conta. O que me conduz na vida é este sentimento horrível de me sentir imperfeita e medíocre, e ele está sempre a puxar por mim, mais e mais. Porque, apesar de eu me ter tornado alguém, continuo a ter que provar que sou ALGUÉM. A minha luta não tem fim, e provavelmente nunca terá mesmo.”
Os “sem igreja” procuram algo. Eles procuram respostas, mas acham que a igreja não as tem.
O cantor Boy George disse, “No Domingo presenciei o baptismo do meu afilhado Michael, e ele estava nervoso como qualquer outro. O pregador era um homem amável muito bem vestido, mas fiquei totalmente confuso logo que ele subiu ao púlpito. A maioria de nós só vai à igreja nos casamentos e funerais, por isso seguir o Livro é inútil... e qual é a ideia de insistir no pecado, se a maioria de nós está destinada à condenação eterna? Isto não atrai as pessoas ao Cristianismo; só as faz sentir hipócritas. Pior ainda são os hinos extremamente depressivos. Eu gostava de ver música ao vivo, guitarras acústicas e percussão. A igreja devia ser uma experiência alegre e libertadora – precisa desesperadamente de uma operação plástica, porque ela é o teatro de Deus na terra, e devia estar a atrair as pessoas. Amén.” – Boy George, Daily Mail de Londres, 23 Feb., 2000.
Os “sem igreja” concordam unanimemente que a igreja não é sensível às suas necessidades. Nós temos o que eles querem, a única coisa que pode preencher o seu vazio – um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Mas como é que eles o vão receber?
4 coisas essenciais para alcançar os adolescentes “sem igreja”:
1. Mantermo-nos actualizados
Se queremos alcançar os “sem igreja”, temos que saber o que os estudantes estão a passar. Quer dizer que temos que comprar o último cd do Eminem? Não, mas é bom estar a par do que os estudante andam a ver, a ouvir, o que querem, com que lutam e o que os envolve actualmente.
O apóstolo Paulo era um grande modelo de alguém que alcançava os “sem igreja”. Ele estava atento ao que interessava à sua audiência. Em Actos 17:25-26 ele diz, “passando eu e vendo os vossos santuários, achei também, um altar em que estava escrito: Ao Deus Desconhecido. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio. (24) O Deus que fez o mundo, e tudo que nela há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; (25) Nem tão-pouco é servido por mãos de homens, como que por necessidade de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas.”
Como podemos mantermo-nos actuais e não ser corrompidos com isso? Boa questão. Felizmente, há irmãos em Cristo cujos ministérios tem por objectivo ajudar-nos a mantermo-nos actuais. Visitem estes sites de alguns ministérios que ajudam a mantermo-nos informados sobre os adolescentes:
· http://www.cpyu.org
· http://www.almenconi.com
· http://www.trueliesyouthtalks.com
· http://www.barna.org
É a melhor forma de nos mantermos actualizados...
2. Mantermo-nos ligados
A melhor forma de mantermo-nos actuais é estarmos ligados aos estudantes “sem igreja”. Estar ligado é simplesmente ir onde os “sem igreja” vão. Eu descobri que visitar um campus universitário é um dos melhores lugares onde se pode ir, para fazer isto. Admito, agora, que pode ser um pouco intimidante ao princípio. É difícil caminhar em direcção a um campus universitário com a interrogação se algum estudante quererá falar contigo. O meu amigo Rob conduz um ministério num campus universitário que alcança jovens estudantes, e visita o campus duas vezes por semana. Ele conta que muitas vezes encontra um estudante que conhece, vai de encontro aos amigos desse estudante e apresenta-se a si próprio, “Viva! Eu sou agente do serviço de liberdade condicional, e sou responsável pelo João. Preciso dos vossos nomes!”. Ele diz que quebra sempre o gelo muito bem.
Outras formas de nos ligarmos com os “sem igreja” é:
· Ir a jogos de futebol, basquetebol, etc, de adolescentes
· Treinar jovens num desporto
· Ser um contínuo num campus universitário
· Visitar jovens na prisão
· Visitar lares
Alcançar os “sem igreja” significa procurar conhecer as pessoas “sem igreja”.
3. Mantermo-nos criativos
Kurt Johnston, de Saddleback, disse algo que gostei particularmente, nas minhas entrevistas a ministérios que estão precisamente a alcançar os “sem igreja”. Ele disse, “O que nós combinamos com os estudantes é o seguinte: Se tomardes o risco e partilhardes Cristo e convidardes um amigo para vir à igreja, nós damo-vos a certeza de que estaremos ao vosso lado... ficareis contentes por terdes tomado o risco.”
Programar é importante. A maioria dos estudantes “sem igreja” não vai querer ir a um lugar onde sente que não pertence, ou se vai sentir profundamente aborrecido! Programação criativa, eventos, discussões, e ensino podem fazer a diferença num ministério que pretende alcançar os jovens. Como é que eles vão ouvir o Evangelho se não conseguimos obter a sua atenção?
Por isso é que lideres de jovens estão sempre à procura de recursos que possam usar. Por isso é que dedicámos o nosso site, a ajudar pessoas que trabalham com jovens a alcançar os jovens, fornecendo-lhes recursos para os ajudar.
4. Mantermo-nos limpos
Lembro-me de uma série de cartoons que aparecia no jornal de domingo. Gosto muito de um que tinha como título “Como os pássaros vêem os humanos”. O desenho é do ponto de vista de um pássaro a olhar para baixo, para os humanos. Cada humano tinha um grande alvo nas suas cabeças!
Acho que é assim que Satanás vê as pessoas que trabalham com jovens. Há grandes alvos desenhados em nós – porque ele sabe que se puder levar-nos a cair – pode trazer milhares de jovens juntamente connosco.
Identificarmo-nos e procurarmos compreender os adolescentes “sem igreja” não implica vendermo-nos! Não quer dizer que tenhamos que começar a ver a MTV, a cantar as suas músicas enquanto conduzimos os nossos carros, ou deixar escapar um pouco de linguagem imprópria de vez em quando, ou deixar o nosso humor descer ao nível dos jovens que pretendemos alcançar. Amar os jovens não implica descer ao seu nível. Significa amá-los por aquilo que são, mas amá-los ainda mais para não os deixarmos tal como estão.
Não tenhas medo de falar de Jesus. Não temas que eles vejam Cristo em ti, nas tuas palavras e na forma como tratas os outros. Lembra-te de 1ª de Pedro 3:15-16, “Antes santificai a Cristo, como Senhor, nos vossos corações; e estai sempre preparados para responder, com mansidão e temor, a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós; (16) Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo.”
Como podemos dar uma resposta aos jovens que perguntam sobre a Esperança que vêem em nossas vidas... se eles não a puderem ver? Tens o privilégio e a responsabilidade incríveis de representar Cristo e fazer a diferença nas vidas dos jovens “sem igreja”. E tu podes ser muito bem a única imagem que certos jovens terão de Cristo por toda a vida.
As fontes de muita da estatística e factos culturais dos jovens foram obtidos em:
· http://www.cpyu.org
· http://www.barna.org
· http://www.parable.com/parable/item-0310375614.htm
Recomendamos que leia o livro de Lee Strobel, Como Alcançar os que Evitam Deus e a Igreja.
As entrevistas que referimos neste artigo, que fizemos a ministérios que se dedicam a alcançar jovens, podem ser encontradas em
· http://www.thesourcefym.com/howdoi/howothersreach.asp
(Tradução de David Costa)