Procurando Aconselhamento

C. R. Stam     "Ora tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso...."

     Aos 78 anos de idade dar-vos-ei uma sugestão, pregadores mais jovens, que provavelmente nunca receberão dos vossos semelhantes.

     Roboão não tinha 20 anos de idade, nem 25, mas 41, quando ele ascendeu ao trono de Israel (II Cr.12:13). Devido ao estado de inquietação em Israel na época, ele precisava urgentemente de conselhos sólidos.

     Primeiramente ele procurou "os anciãos", que tinham estado "na presença de Salomão, seu pai", e tinham a experiência para aconselhá-lo sabiamente. Mas Roboão não gostou do tipo de conselho que eles lhe deram. Ele ainda era jovem e vigoroso, e procurou um conselho mais ousado. Então...

      "...ele deixou o conselho que os anciãos lhe tinham aconselhado, e teve conselho com os mancebos que haviam crescido com ele, que estavam diante dele" (I Re.12:8).

     Afinal de contas, eles não eram mais "meninos". Na sua maioria estavam no começo dos seus quarenta anos, e olhando para o futuro. Ah, mas "os anciãos" possuíam uma coisa em abundância que aos "mancebos" ainda faltava: muitos anos de experiência, experiência no próprio campo que precisava de aconselhamento amadurecido.

     "Os mancebos" de facto deram aconselhamento mais ousado a Roboão. Eles disseram: "Ajunta todos e diga-lhes que você será um líder muito mais forte que seu pai, Salomão, foi, e se eles rebelarem, você irá castigar-lhes mais severamente que seu pai castigou" (I Re.12:10-11).

     Resultado: Roboão perdeu 10 das 12 tribos numa rutura tão profunda que ainda não está cicatrizada – e o não será até Cristo voltar. Pode-se imaginar Roboão falando agora com os seus jovens conselheiros: "Eu não estava à espera disto; o que faremos agora?" Não havia nada a fazer: agora era muito tarde. E a separação das dez tribos não era o pior desastre da sua tolice, porque logo depois as dez tribos terem apostatado contra Deus, e não muito tempo depois disso as duas tribos restantes, Judá e Benjamim, fizeram o mesmo.

     Que lição temos aqui para os jovens pregadores? Apenas isto: Sonda os recursos espirituais, morais e intelectuais dos santos mais velhos da tua congregação. Alguns deles podem provar ser os amigos mais valiosos que alguma vez tiveste.

     O escritor gostaria de dar o seu testemunho pessoal: Eu sou profundamente grato por ter crescido antes da desintegração da família e antes que a distância entre as gerações que acompanhou o processo, tivesse começada. Nós passávamos as nossas noites juntos, a maior parte do tempo em casa, e esta época era mais feliz, sem dúvida, do que a atual que é tão inconstante e má.

     Houve "três velhos" na minha vida, cuja inspiração ainda vive em mim hoje. O Sr. Herman Brayer, na época com quase 70 anos de idade e eu no começo dos meus 20, dizia aos outros, "Já ouviste Neill Stam pregar? Oh, devias ouvi-lo!" Mas para mim, sempre em particular, ele dizia, "Tu sabes o que disseste esta noite?", então ele me indicava onde eu inconscientemente tinha ensinado alguma inverdade. Ou, ele dizia, "O Senhor certamente esteva contigo esta noite. Eu gostei."

     E havia o meu próprio pai. Embora um homem excessivamente ocupado, ele sempre dava um jeito de nós termos algum tempo juntos, quando íamos para casa ou algo semelhante. Ele era mais cuidadoso com as suas críticas, porém, mais penetrante, e com o passar dos anos fiquei mais e mais sensível ao seu cuidado paternal e à sua sabedoria. Como eu fui o sétimo a nascer na família, ele já era um homem velho quando já era crescido, mas acredita que nunca percebi haver uma distância entre as gerações – vivíamos mais perto de Lv.19:32 naquela época – embora seja sempre natural os jovens darem mais ouvidos às pessoas da sua idade.

     Finalmente, houve aquele gigante da fé, Pastor J. C. O'Hair. Que honra tê-lo como amigo! Cheguei a conhecê-lo quando eu tinha pouco mais de 20 anos de idade, apesar dele morar em Chicago e eu em Nova Jersey; então ele era mais um conhecido do que um amigo íntimo na época. Quando eu cheguei aos 41 anos de idade, entretanto, ele já estava com mais de setenta, e foram nos dez anos depois disto que ele tornou-se num verdadeiro amigo para mim. Ele era mais franco que os outros dois "velhos" – ocasionalmente ele até repreendia-me – mas ele queria tanto que eu estivesse bem estabelecido na doutrina e prática, que as suas palavras de crítica e conselho foram profundamente apreciadas.

     Nunca deixarei de ser grato por estes três grandes homens de Deus e a sua ajuda e inspiração para a causa de Cristo. A sua memória, especialmente a este respeito, ainda é uma grande inspiração para mim.

     Então, jovem pregador-amigo, cultiva uma verdadeira amizade com os irmãos mais velhos da tua congregação, e procura-os frequentemente para conselhos. Alguns deles podem provar ser os melhores amigos que alguma vez tiveste. Espero que não permitas que a distância entre as gerações vos afete adversamente, porque vem direto do orgulho humano e em direção à atual tendência de uma vida sem Deus. Que Deus nos ajude a mostrar a este mundo triste e mau, algo melhor do que o atual modo moderno de vida.

- Cornelius R. Stam


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