06-05-08 - A perseguição religiosa em pleno século XXI
INTERNACIONAL - Um em cada 10 cristãos no mundo está sujeito a restrições severas ou a viver em estado de guerra. E para eles não há sinais de melhoria. Pelo contrário: a ofensiva contra a liberdade religiosa, o conflito ideológico e a imposição de outros credos está a ganhar força em todo o mundo. Nos dias de hoje, especialmente nas nações livres, a perseguição assume instâncias tanto explícitas quanto subtis.
De acordo com o anuário alemão Maertyrer 2007, há 200 milhões de cristãos a enfrentar algum tipo de restrição ao exercício pleno da fé, o que, em muitos casos, desdobra-se em situações de discriminação ostensiva e perseguição severa. Este anuário é publicado pela agência de notícias evangélica “Idea”, em parceria com a Aliança Evangélica Alemã e a Sociedade Internacional para os Direitos Humanos.
A informação também foi confirmada num relatório inédito do Serviço de Informações Britânico, o MI6, indicando que cristãos de 60 países enfrentam uma perseguição orquestrada, em grande parte, pela rede terrorista Al-Qaeda.
Antes da queda do muro de Berlim e da abertura da Cortina de Ferro a perseguição era facilmente identificada, sendo dirigida e promovida principalmente pelo governo e pelas agências estatais. Foi nessa época que a Missão Portas Abertas surgiu (confira aqui a história do irmão André).
No entanto, desde então foram muitas as mudanças geopolíticas e económicas. O comunismo entrou em colapso, a ex-União Soviética foi desmembrada, o muro de Berlim caiu, a União Europeia vem se consolidando e o mundo assiste a uma polarização perigosa entre os países do oriente e do ocidente.
Uma nova Guerra Santa vem sendo proclamada por organizações terroristas islâmicas como a Al Qaeda, Talibãs, entre outras, contra todos os cristãos e as nações do Ocidente.
Sob o manto da tolerância, está a haver um ataque à fé absoluta
As faces mais subtis da perseguição religiosa nas nações livres são revestidas do manto da tolerância e da igualdade. Basta observar o que aconteceu no ano passado na maior nação protestante do mundo, os Estados Unidos. Os Gideões Internacionais foram proibidos pela Justiça do Estado de Missouri de distribuir Bíblias a crianças numa escola de Annapolis.
A Alemanha, berço do protestantismo, é um exemplo claro de como a restrição à liberdade religiosa ganhou requintes de modernidade. No ano passado, o Pastor Johannes Lerle, de 55 anos, foi condenado a um ano de prisão por ter “incitado a oposição ao aborto durante uma pregação".
Ali também foi lançada, na Feira do Livro de Frankfurt de 2006, a primeira “Bíblia politicamente correcta”, que "muda termos como "homens" por "pessoas" e "obedecer a Deus" por "escutar a Deus", entre outros trechos.
Na Espanha, foi incorporada no currículo escolar uma disciplina de educação e aceitação de diferentes tipos de família e afectividades, incluindo as homossexuais.
Na Inglaterra, o bispo anglicano de Hereford, Anthony Priddis, foi processado por ter-se recusado a empregar um homossexual declarado.
Na Suécia, o pastor Ake Green foi condenado a um mês de prisão por ter pregado um sermão contra o homossexualismo.
A tolerância agora exige negar que qualquer um tenha fé absoluta. "Em nome do relativismo moral e cultural, segundo o qual todo o uso, comportamento e costume deve ser respeitado e qualquer opinião e palavra contrária é interpretada como fanatismo, vemos o direito de evangelizar estar a ser atacado”, explica Johan Companjen presidente da Missão Portas Abertas Internacional.
De facto, as nações consideradas livres vivem hoje diante do desafio de identificar casos de perseguição e de resistir, a fim de evitar que a abertura de uma pequena brecha possa trazer consigo uma avalanche de imposições restritivas à divulgação da Palavra de Deus.




