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28-11-08 - Pesquisa atribui a agressividade dos jovens à violência nos media

videogames_violencia.jpg     Um estudo em grande escala mostrou vínculos claros entre a violência nos media e a violência real entre adolescentes.

     O trabalho, de pesquisadores da Rutgers University, em Newark, nos Estados Unidos, concluiu que "Tu és o que assistes", pelo menos quando está em causa a população jovem.

     A pesquisa, que será publicada na edição de Fevereiro de 2009 da revista científica Journal of Youth and Adolescence [Jornal da Juventude e Adolescência], mostra que mesmo levando-se outros factores em consideração - como talento académico, exposição à violência na comunidade ou problemas emocionais - a "preferência pelos media violentos na infância e adolescência contribuiu significativamente para a previsão de violência e agressão em geral" nos participantes do estudo.

     A relação entre a violência nos media e o comportamento violento tem sido reconhecida por especialistas nos últimos 40 anos.

     Entretanto, grande parte das pesquisas sobre o assunto foi feita em laboratório, com pouca ênfase na documentação de vínculos entre a violência nos media e a prática de actos sérios de violência ou de comportamento anti-social na vida real, diz o pesquisador Paul Boxer, responsável pelo estudo.

     Outro problema dos estudos anteriores, segundo Boxer, é que eles não levaram em conta outros factores que influenciam o comportamento das crianças, como a exposição ao comportamento violento ou agressivo na escola, tendências psicopatas ou outros problemas emocionais.

     "Mesmo em conjunção com outros factores, a nossa pesquisa mostra que violência nos media reforça o comportamento violento", disse.

     "Em média, os adolescentes que não foram expostos à violência nos media não são tão inclinados ao comportamento violento".


Estudo

     Como parte do estudo, Boxer e a sua equipa entrevistaram detalhadamente 820 adolescentes do Estado americano de Michigan, EUA. Destes, 430 eram alunos do ensino médio de comunidades rurais, suburbanas e urbanas. Outros 390 eram delinquentes juvenis detidos em instituições municipais e estaduais.

     Os adolescentes estavam distribuídos de forma equilibrada entre os sexos masculino e feminino.

Pais ou guardiões de 720 deles também foram entrevistados, assim como os professores ou funcionários que lidavam com 717 dos jovens.

     Cada participante disse quais eram os seus programas favoritos de TV, filmes e jogos de vídeo ou computador durante a infância e a adolescência.

     Eles também foram indagados se haviam se comportado de forma anti-social, por exemplo, atirando com pedras ou usando armas.

     Os pesquisadores investigaram ainda a exposição dos jovens à agressão ou à violência, assim como problemas emocionais. Pais, guardiões e professores também foram entrevistados sobre o comportamento que haviam observado nos jovens.

     Depois de coligir e analisar os dados, os pesquisadores concluíram que índices altos de exposição a programas violentos "aumentava significativamente a possibilidade de prever tanto violência como agressão em geral".

     Além disso, "mesmo aqueles que tinham baixos índices em outros factores de risco, a preferência pelos media violentos era uma indicação de comportamento violento e agressão em geral".

     Boxer acredita que os resultados do estudo podem ser usados para avaliar, intervir e tratar jovens que demonstram comportamento agressivo. E diz que é necessária mais pesquisa, bem como analisar o impacto no comportamento quando os videogames interactivos violentos são banidos.

BBC


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