01-12-08 - Jornais mexicanos noticiam perseguição a evangélicos
À medida que o número de cristãos evangélicos tem crescido no sul do México, hostilidades de “católicos tradicionais” acompanham o ritmo, segundo notícias publicadas. De acordo com as notícias, o comportamento predominante nas comunidades indígenas na região sul do México consiste em que apenas os seguidores do catolicismo tradicional (uma mistura de rituais nativos com o catolicismo romano) têm direito a praticar a sua religião.
As notícias também indicam que os moradores católicos tradicionalistas acreditam possuir o direito de forçar os outros a seguir a sua religião.
Presos por não festejarem
No Estado de Oaxaca, quatro crentes foram presos em 16 de Novembro no distrito de Ixtlan de Juarez. O crime foi não terem participado numa festa católica tradicional e não pagarem as cotas que lhes foram designadas para cobrir os custos da festa, informou a agência de notícia La Voz.
Os seus vizinhos, pouco menos que os 180 evangélicos da cidade, têm tentado forçá-los a praticar o culto a santos e outros rituais contrários à fé bíblica.
Como resultado de tal pressão, de acordo com La Voz, os não-católicos da região, incluindo crianças, vivem sob o temor de serem expulsos das suas propriedades.
No município de Zinacantán, Chiapas, cinco crentes indígenas foram presos por 24 horas no dia 4 de Novembro, por não aceitarem trabalhar nas festas tradicionais católicas, segundo a Confraternidade Nacional de Igrejas Cristãs Evangélicas. A Câmara Municipal ordenou-lhes que abandonassem o protestantismo, ou “inventaria alguns crimes, pelos quais os acusaria e os prenderia”, segundo o jornal Expreso de Chiapas.
Também em Chiapas, Estado localizado no extremo sul do México, caciques (chefes políticos) negaram o direito de 24 famílias evangélicas em participar de programas sociais públicos, no município de San Andrés Larrainzar, segundo notícias. No dia 3 de novembro, os caciques decidiram multá-las em 3 mil pesos mexicanos (220 dólares) caso se recusem a contribuir com as festas católicas, de acordo com o Expreso.
Os caciques também ameaçaram cortar o suprimento de energia eléctrica e água dos evangélicos, informou o crente Pertenceu Vasquez ao jornal La Jornada.
Cortes e sequestro
No mês passado, caciques forçaram famílias evangélicas da comunidade de Nicolás Ruiz, Chiapas, a assinar documentos comprometendo-os a realizar cultos apenas às quartas-feiras, sábados e domingos. A violação disso acarretaria em multas de até mil pesos mexicanos (74 dólares) por família. Sete famílias evangélicas já foram expulsas da cidade, deixando para trás todos os seus pertences e propriedade, refugiando-se no município de Acara, reportou o jornal Cuarto Poder.
No Estado de Guerrero, foi cortado o fornecimento de água e electricidade a duas famílias evangélicas que se recusaram a participar de rituais religiosos do município de comunidades, publicou o La Jornada. As famílias são pressionadas a abandonar a fé desde 2006.
“Elas foram ameaçadas de enforcamento por causa de sua crença religiosa, caso não obedecessem às ordens das autoridades municipais”, informou Jorge Garcia Jimenez, do Foro Nacional de Advogados Cristãos, ao jornal Guerrero.
Como em outras partes do México, as autoridades em Olinala justificaram o facto de forçar os evangélicos a contribuir e a participar nas festas com base numa provisão constitucional, que protege “usos e costumes” das comunidades. Mas, elas violaram a liberdade religiosa também garantida na Constituição.
Ameaças e corte de serviços básicos em Guerrero aconteceram logo após o sequestro do filho adolescente de um proeminente pastor evangélico do mesmo Estado. Os sequestradores ignoraram claramente o resgate pago pela família e mantiveram o garoto preso por dois meses.
Perseguição também no norte
Até mesmo em Estados ao norte, como Hidalgo, um conflito de longa duração explodiu neste mês. Após anos de hostilidades entre católicos tradicionalistas e evangélicos, informou La Jornada, autoridades do município de Ixmiquilpan finalmente cederam aos protestantes a permissão para construir uma igreja.
Em Pasté, afirmou, quatro famílias permanecem sem água desde o dia 14 de Outubro por se recusarem a contribuir para as festas tradicionalistas católicas, que frequentemente envolvem a fabricação e venda de fortes bebidas alcoólicas.
“As autoridades de Zinacantán não estão a fazer nada para resolver o problema”, disse ele aos repórteres.




