08-01-09 - Religiosos têm maior auto-controle, diz estudo
Fez resoluções de Ano Novo para 2009? Se é religioso, é mais provável que consiga mantê-las, de acordo com um novo estudo.Para o estudo, o Professor de Psicologia Michael McCullough, da Universidade de Miami, nos EUA, e a sua equipa avaliaram oito décadas de pesquisas sobre religião que tinham sido realizadas sobre diversas amostras de pessoas de todo o mundo.
“A vida religiosa pode contribuir para o auto-controle, dando às pessoas normas claras para a sua conduta, por levar as pessoas a controlar de forma mais rigorosa o seu próprio comportamento, e dando às pessoas a sensação de que Deus está a observar o seu comportamento”, afirma uma conclusão do estudo, que será publicado na edição de Janeiro de 2009 do Boletim Psicológico.
“Quando as pessoas vêem os seus objectivos como algo ‘sagrado’, aplicam mais energia e esforço na perseguição desses objectivos e, portanto, são provavelmente mais eficazes em concretizá-los”, afirma uma outra conclusão.
Desde há décadas, pesquisadores têm repetidamente encontrado uma correlação entre religiosidade e maior auto-controle nos estudantes e adultos, observando que os estudantes que despenderam mais tempo com a instrução na igreja obtiveram melhores resultados nos testes laboratoriais que mediam a auto-disciplina, e as pessoas devotas eram mais propensas do que as outras a fazerem uso do cinto de segurança, ir ao dentista e tomar vitaminas.
Embora alguns possam questionar se é a devoção religiosa que leva ao auto-controlo, ou vice-versa, McCullough diz que a predisposição para tal foi tida em conta na sua investigação e que mesmo assim ainda havia razões para acreditar que a religião tem uma forte influência.
“Quando se combina tudo vem-se a descobrir achados notavelmente consistentes que correlacionam a religiosidade com um maior auto-controlo”, contou o professor ao New York Times.
Mas isso não quer dizer que os não religiosos precisam de adoptar uma fé para desenvolverem auto-controlo.
“As pessoas podem ter valores sagrados que não são valores religiosos”, disse McCullough, que confessa que ele próprio não é muito devoto.
“Você pode despender o tempo pensando sobre o que são valores sagrados para si e fazer resoluções de Ano Novo que sejam coerentes com eles”, disse ao Times.
Ainda assim, é de notar que as pessoas religiosas tendem a ter menores taxas de abuso de substâncias, melhor desempenho escolar, menos delinquência, melhores comportamentos de saúde, menos depressão, e vidas mais longas.
“Ao pensar na religião como uma força social que propicia as pessoas com recursos para controlar os seus impulsos (incluindo o impulso de auto-preservação, em alguns casos) no serviço de objectivos maiores, a religião pode motivar as pessoas para fazerem praticamente qualquer coisa”, afirma McCullough.
McCullough diz também que ele e a sua equipa acreditam que pode ter sido a capacidade da religião de auxiliar as pessoas a auto-controlarem-se que durante séculos as ajudou a ampliarem as suas capacidades naturais de auto-controlo e, como resultado, permitiu-lhes prosperar em actividades difíceis mas necessárias, como a agricultura e trabalhar em conjunto para resolver problemas.
“Temos andado a explorar… esta possibilidade de que aquilo em que a religião é realmente boa – e possivelmente, a razão por que evoluiu – foi em ajudar os seres humanos ancestrais, que estavam em vias de se tornarem modernos, a aumentar as suas habilidades de se controlarem a si mesmos e não se entregarem a comportamentos impulsivos que poderiam ter sido benéficos a curto prazo, mas menos desejáveis a longo prazo do que outras condutas de comportamento”, relatou McCullough.
O que McCullough e a sua equipa esperam que o seu estudo venha a produzir é uma atenção mais explícita para a possibilidade da relação entre a religiosidade e o auto-controlo poder explicar a ligação entre a religiosidade e a saúde e o comportamento.




