19-01-09 - Autocarros com slogan ateu são proibidos de circular em Itália
A associação italiana União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas (UAAR) foi proibida de divulgar uma campanha publicitária nos autocarros de Génova.A concessionária de publicidade nos meios de transporte públicos IgpDecaux considerou que o slogan "Má notícia: Deus não existe; Boa notícia, você não precisa dele" é provocatório e não se enquadraria no código de ética da propaganda italiana.
¨Não esperávamos a proibição da campanha, mas levávamos em conta o risco que corríamos. O contrato já estava pronto para ser assinado", disse à BBC Giorgio Villella, organizador dos eventos da UAAR e ex-secretário nacional da associação.
A IgpDecaux, com sede em Milão, argumentou que segundo os códigos 10 e 46 de autodisciplina regulamentar, a publicidade não deve ser ofensiva, e as campanhas não devem lesar o interesse de ninguém.
"Se irão apresentar outro slogan poderemos examinar. Não se trata de seguir ou não as indicações da Igreja", afirmou Fabrizio DuChene, administrador-delegado da empresa ao jornal "La Repubblica".
A UAAR promete lutar contra a proibição de veicular a mensagem de que Deus não existe.
"Vamos pedir que a Câmara de Génova revogue o contrato com a IgpDecaux. A prefeita da cidade, que é laica, tinha-se declarado favorável à campanha, realçando o direito de liberdade de expressão. E iremos para o Tribunal de Justiça Europeu se for necessário", disse Villella.
A veiculação da campanha custaria cerca de 8 mil euros. Dois autocarros circulariam a partir do dia 4 de Fevereiro durante quatro semanas.
A iniciativa é semelhante à que está a ser realizada em Londres, Washington e Barcelona. Na Austrália, a proposta também foi vetada.
Apesar da proibição, a UAAR, que existe há 22 anos, disse ter atingido o objectivo de "atrair visibilidade à associação".
Segundo Villella, a associação de 3 mil sócios recebeu em poucos dias mais de 500 novas inscrições.
Ainda segundo ele, a UAAR já recebeu mais de 13 mil euros em doações, que vão ser usados na "batalha judicial para dar voz a quem não acredita em Deus".
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