Testemunhos sobre o Véu (8)

Sproul (teólogo e pregador, n. 1939): “Durante os meus anos de high school [ensino secundário], quando eu ia à igreja ao domingo de manhã, eu nunca via uma mulher naquela igreja (era uma igreja presbiteriana tradicional) cuja cabeça não estivesse coberta com um chapéu ou véu. Este é um daqueles costumes que simplesmente desapareceu da maior parte da cultura cristã”.1“Nós estamos persuadidos de que o mandado bíblico ainda está em vigor... Se há alguma justificação forte é o apelo à Criação... E acho que não importa nem um pouco se é um lenço, um véu..., mas eu penso que o símbolo deve permanecer intacto, como um sinal da nossa obediência a Deus”. 2
Ao continuarmos agora com o nosso estudo sobre afirmações difíceis, volvamo-nos para as Epístolas do Novo Testamento. E uma que temos hoje é importante por várias razões … Refiro-me à questão das mulheres usarem as cabeças cobertas na igreja. Sei que há igrejas que têm grande controvérsia sobre este tema, mas para a maioria na igreja hoje, pelo menos na igreja Americana, a tradição das mulheres cobrirem as suas cabeças nos cultos tem sido abandonada. Ora esta passagem está repleta de dificuldades para nós que vivemos no século vinte fora da situação local da congregação Coríntia, e levanta uma questão maior do que a imediata questão da cabeça coberta. E a questão é a seguinte: qual é a obrigação Cristã a respeito de se observar costumes que eram observados nos tempos bíblicos?
Virtualmente todo o escolástico reconhece a distinção entre princípio e costume. Princípios são os mandamentos de Deus que se aplicam a todas as pessoas, em todo o tempo, em todas as culturas e em toda a situação de vida. Costumes são aquelas coisas que são aplicações variáveis e locais. Por exemplo, no Novo Testamento a obrigação dos impostos era realizada com o uso do Denário ou do Shekel. Isso significa que a única forma de hoje podermos agradar a Deus é pagando os impostos com as moedas Shekel ou Denário? Certamente que não. A unidade monetária era algo costumeiro. … Nós compreendemos que isto é costumeiro. Tantas vezes, a distinção entre costume e princípio é uma questão relativamente fácil. Mas nem sempre. Por vezes é terrivelmente difícil fazer essa distinção. Deixe-me apresentar-lhe uma regra que deve aplicar para poder decidir se algo é costume ou princípio. A regra bíblica é: “tudo o que não é de fé é pecado”. E assim o ónus de prova está sempre sobre os que argumentam que tal e tal mandamento é um costume e não um princípio. Se não tem a certeza então a regra que se aplica é “trate-o como princípio”. Porque se trata um costume como princípio, a única culpa é ser excessivamente escrupuloso. Mas se toma um princípio de Deus e o trata como um costume local, e não o observa, tem pecado contra Deus.
O argumento que lemos em quase todos os comentários é o seguinte: que nós sabemos que em Corinto um dos sinais de uma prostituta não era uma luz vermelha sobre a porta mas era o sinal da cabeça descoberta e Paulo está a dizer às crentes Coríntias “Por amor do Céu, não venham à igreja parecendo prostitutas”. Mas há aqui um problema com esta explicação. Eu não duvido por um instante que em Corinto havia um problema com prostitutas e penso que servirá de muita ajuda examinar a situação Cultural e o estilo de vida que se vivia quando esta carta foi escrita a fim de de se ter pistas que conduzam à compreensão das razões e conclusões de certas admoestações. Penso que é muito apropriado.
Por outro lado penso que é totalmente inapropriado atribuir a Paulo, para aquilo que ele está a dizer aqui, uma razão diferente da que ele ele próprio dá. Paulo não nos deixa sem argumento ou defesa para o uso da cabeça coberta e o mais surpreendente aqui é que ele apela à Criação, não a Corinto, onde o vemos apelar ao homem e à mulher como homem e mulher, e se algo transcende o costume local é o que está ordenado ENRAIZADO e ORDENADO na CRIAÇÃO. É por isso que receio ser frouxo com esta passagem.
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1. R. C. Sproul, Now, That's a Good Question! (Tyndale House Publishers, 2011), p. 347..
2. R. C. Sproul, Now, That's a Good Question!, pp. 347-348. Sproul ainda afirma a sua crença de que o uso da cabeça coberta é um mandamento universal em: Knowing Scripture (Downers Grove, IL: Intervarsity Press, 1977), p. 110; “Table Talk Magazine” (Coram Deo), 17-21 de junho de 1996.
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