Disciplina Bíblica na Igreja - Princípios (X)

A rebeldia é passível de disciplina


    “Entregue a Satanás” -- Paulo quer que o ofensor seja tirado do círculo de proteção e comunhão que é a igreja local, removido de debaixo do guarda-chuva de proteção divina da igreja, e colocado, exposto, ao mundo onde satanás impera. O processo deve ser tão doloroso, tão prejudicial à saúde espiritual, emocional e física do homem, que mesmo sofrendo destruição física, a sua alma encontrará salvação eterna.

     É difícil entender esse processo. Mas sabemos que há disciplina física por pecado, às vezes levando até a morte (1 Jo 5.16,17, 19;1 Co 11.30; Tg 5.13 ss.)

     Mateus diz que seria tratado como “publicano e pecador”, ou seja, alguém totalmente repudiado e rejeitado (não como alguns dizem, torcendo as Escrituras, que devia ser apaparicado para atraí-lo de novo à fé.)

     C. Restauração

     Ler 5.5. Existe uma diferença entre castigo e punição. 

     Na família, não punimos os nossos filhos. Não nos vingamos deles. Não procuramos o mal, mas o bem deles. Não procuramos envergonhá-los desnecessariamente. Da mesma forma, a disciplina na família de Deus visa restaurar os seus membros à comunhão plena com a família e com Deus. Não fazemos isso para amachucar, envergonhar, ou ferir, mas restaurar. Mas restauração envolve dor. Por exemplo, Pv 19.19 diz, “O homem de ira tem de sofrer o dano, pois se tu o livrares, voltará a repeti-lo de novo.”

     Restauração acontece em dois níveis:

     1) Restaurar a reputação de Jesus na comunidade local (1,2).

     2) Restaurar o pecador à comunhão com Jesus e com a comunidade local (5).

     Aqui encontramos a graça de Deus. Mesmo que um membro da igreja tenha sujado o nome de Cristo e da igreja local; mesmo que isso tenha prejudicado a reputação da igreja na comunidade; ainda existe esperança para o pecador. A disciplina bíblica visa preservar o testemunho de Cristo na comunidade, mas também visa restaurar o pecador. Queremos punir pela vergonha que nos causou a nós, à igreja e a Cristo. Mas temos que perdoar, quando há arrependimento genuíno.

     2 Co 2.5-11 é um texto importante na discussão. Na disciplina bíblica, tem que haver equilíbrio. Somos severos, públicos e imediatos na disciplina, mas também somos graciosos e imediatos na expressão de amor quando o pecador se arrepende. Satanás também pode usar o excesso de disciplina para derrubar a igreja e os seus membros. Não sabemos se a mesma situação está em vista em 2 Co 2, mas o princípio aplica-se. O que constuti arrependimento genuíno? À luz de 1 Co 5 e 2 Co 2, além da experiência de disciplina no contexto do lar, quero sugerir que envolve:

     1) Confissão do pecado (dizer a mesma coisa que Deus diz dele, sem desculpas)
     2) Humildade em pedir perdão (“Pai, pequei contra Deus e contra o senhor”)
     3) Tristeza genuína (não por que foi apanhado; mas por causa da seriedade da ofensa)
     4) Submissão à disciplina estabelecida pela liderança local

     Quando há dúvida, devemos errar ao lado da restauração, sem ser cínicos ou céticos, mas também sem ser estúpidos.

     Entenda que Paulo, aqui, não dá a opção de um meio-termo. O pecador não arrependido deve ser totalmente marginalizado, tirado do meio da igreja para não continuar a sujar o nome da igreja.

     Cautela: Mas uma vez restaurado, ele não dá a opção de ter o homem na igreja ainda tratado como publicano. Francamente, não se vê espaço para essa posição nas Escrituras. Se está fora, está fora mesmo. Se está dentro, deve ser recebido, acolhido, perdoado e abraçado, mesmo que o seu pecado ainda implique em limitações quanto ao envolvimento nos ministérios da igreja. Na família, recebemos o filho arrependido de volta, com braços abertos, com carinho e afirmação de amor. Mas também há consequências. Perde certos privilégios por um tempo. Talvez não possa brincar fora; ou assistir a determinado programa; ou passear com um amigo. Continua filho, não deve ficar “de castigo” e afastado, mas perde certos privilégios.

     Conclusão:
     Lepra espiritual . . . uma doença fatal se não tratada. A insensibilidade ao pecado acaba por destruir a igreja local de dentro para fora. Torna-se uma igreja desmembrada, deficiente, insensível, paralítica.

Ideia:
Disciplina bíblica é uma questão familiar que visa restaurar a reputação de Jesus e o pecador ao Senhor.

- Davi Merkh
(Continua) 

Disciplina Bíblica na Igreja - Princípios (I)
Disciplina Bíblica na Igreja - Princípios (II)
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