Véu e chapéu

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Porque se devem cobrir as mulheres e descobrir os homens na Igreja

A questão da cabeça (vs. 3-6)

     Primeiro, Deus afirma o princípio; depois Ele aplica-o. O princípio importante aqui é o de soberania, de liderança (simbolizado pela figura da cabeça). Deus está mostrando que homem e mulher, na igreja, não ocupam a mesma posição. São iguais no que se refere à sua posição em Cristo (os vs. 11-12, além de Gálatas 3:28, mostram isto claramente), mas não nas suas funções na igreja local (e nem na família, apesar de este não ser o assunto do trecho em questão). Na igreja local, diz o Senhor, o homem é cabeça da mulher.

     Esta posição de submissão que a mulher ocupa é unicamente consequência da hierarquia que Deus estabelece na Sua criação, e não tem relação com a capacidade, o valor ou a utilidade do homem ou da mulher. Pois o texto afirma, na mesma frase, que “Deus é cabeça de Cristo”.

     Deus e Cristo são iguais em poder, em majestade, em glória, em divindade, e em todos os Seus atributos; os dois são um. Nos propósitos divinos, porém, era necessário que Cristo se submetesse à liderança do Pai, o que Ele voluntariamente fez. Isto não é apenas algo decorrente da encarnação do Filho de Deus, mas faz parte dos relacionamentos eternos deste nosso Deus Triuno.

     O texto está enfatizando que a mulher deve imitar o exemplo do Senhor Jesus Cristo; assim como Ele Se submete voluntariamente ao Pai, ela deve submeter-se voluntariamente ao homem na igreja local. Assim como o Filho não se torna inferior ao Pai por obedecer-Lhe, assim as irmãs não se tornam inferiores aos irmãos, nem merecem menos respeito, por obedecer-lhes.

     É importante que todo irmão entenda que é cabeça da mulher porque Deus quer, não porque os homens são melhores ou superiores. É igualmente importante que toda a irmã entenda que deve ser submissa aos irmãos na igreja porque Deus quer, não porque as mulheres são inferiores.

     Tendo afirmado o princípio no v. 3, Deus fornece-nos a sua aplicação nos vs. 4-6. O princípio é claro: Cristo é cabeça do homem, e o homem é cabeça da mulher. Mas qual a relação deste princípio com a prática de cobrir ou descobrir a cabeça? O texto explica a figura que Deus estabeleceu.

     Quando um homem cobre a sua cabeça nas reuniões da igreja, diz o v. 4, ele desonra a sua cabeça (que é Cristo). Por quê? Porque ao cobrir sua cabeça física ele está (figurativamente, é claro) cobrindo e escondendo a sua cabeça espiritual (que é Cristo). Ele está, em figura, dizendo que Cristo não tem autoridade ali, que a Sua posição como Cabeça não está a ser reconhecida. Por outro lado, o ato físico de descobrir a cabeça (tirando um chapéu, por exemplo) não tem nenhum poder místico, mas é uma maneira de dizer, em figura, que o verdadeiro cabeça do homem, Cristo, não está encoberto ou escondido naquela reunião.

     O mesmo ocorre em relação às irmãs, como mostram os vs. 5 e 6. Se as suas cabeças estiverem descobertas nas reuniões da igreja o símbolo que transmitem é que as suas cabeças espirituais também estão descobertas, dizendo assim que o homem (que é o cabeça da mulher) está ocupando a posição de autoridade (posição de “cabeça”) naquela reunião. Ao cobrir sua cabeça, porém, dizem, em figura, que a sua cabeça espiritual (que é o homem) está encoberto e escondido.

     Unindo os dois símbolos (a cabeça descoberta dos irmãos e a cabeça coberta das irmãs), veja que mensagem preciosa é transmitida. A igreja local está reunida — mas quem está em autoridade? Quem é o Cabeça naquela reunião? A cabeça coberta das irmãs indica que o homem, cabeça espiritual da mulher, não está a governar ali; e a cabeça descoberta dos irmãos indica que Cristo, Cabeça espiritual do homem, é quem está a governar. Percebam, irmãos, a importância do símbolo! Se um irmão cobrir a sua cabeça durante a reunião, ou se uma irmã descobrir a sua, a autoridade e liderança de Cristo estarão sendo, em símbolo, desprezados!

     Uma ressalva, porém, antes de passarmos adiante: a obediência externa ao símbolo não garante que haja obediência no coração (mas isto em nada tira a importância do símbolo). Voltaremos a esta questão ao considerar o segundo argumento apresentado.

- W. J. Watterson

 

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