Esta verdade não era para ser aplicada APENAS à Igreja em Corinto, como alguns dizem, pois a carta aos Coríntios foi dirigida
“À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Cor. 1:2).
O texto de 1 Coríntios 11 não pode, portanto, ser descartado como se fosse meramente “cultural”, ou “geográfico”, aplicando-o apenas aos santos em Corinto. Na verdade a declaração do versículo 16 comprova-o, quando lemos, “Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus”. Esta declaração mostra claramente que a verdade ensinada, se aplicava a TODAS as igrejas locais então existentes e era algo que o apóstolo defendia como uma prática contínua para todos os tempos.
A prova disso jaz a seguir.
Nas Catacumbas, [conjunto de corredores e compartimentos subterrâneos sob a cidade de Roma onde se escondiam os primeiros Cristãos durante os tempos da perseguição] e outros locais, podem ver-se muitos desenhos nas paredes feitos pelos Cristãos dos primeiros séculos. Nesses desenhos as mulheres têm a cabeça coberta com um véu.
A história da igreja primitiva testemunha que as mulheres Cristãs de então usavam o véu.
Tertuliano, um líder da igreja que viveu nos anos 160–222 D.C. escreve que não só as mulheres casadas, senão também as virgens usavam o véu nas igrejas que foram estabelecidas na época apostólica.
Tertuliano disse: “Rogo-te, sejas tu mãe, irmã, filha, ou virgem, que cubras a tua cabeça”.
Tertuliano continuou:
“Em toda a Grécia, e algumas das suas províncias bárbaras, a maioria das igrejas mantém as suas virgens cobertas. Na verdade, esta prática é seguida em certos lugares sob o céu Africano.
“Além disso, apontarei como modelos as igrejas que foram fundadas por apóstolos ou homens apostólicos. . . . Os Coríntios compreenderam o que ele disse. Até ao presente os Coríntios cobrem as suas virgens. O que os apóstolos ensinaram, os discípulos dos apóstolos confirmaram. [Tertuliano, The Veiling of Virgins The Ante-Nicene Fathers [O Véu das Virgens, Os Pais Pré-Niceia] vol. 4 pp 27-29,33].”
Outros líderes da igreja primitiva também defenderam o uso do véu pelas mulheres Cristãs:
Clemente disse que é desejo da Palavra que a mulher ore com a cabeça coberta.
Jerónimo também defendeu a cabeça da mulher coberta com véu.
Agostinho de Hipona, na sua Carta CCXLV, escreveu que as mulheres não devem ter as suas cabeças descobertas uma vez que “o apóstolo ordena às mulheres que cubram as suas cabeças”.
Outro líder Cristão da antiguidade, Crisóstomo, testemunha que também na sua época todas as mulheres o usavam e escreve sobre o assunto na sua Homilia XXVI explicando através de 1 Coríntios 11 como as mulheres se devem cobrir com véu.
Hipólito, um líder da igreja em Roma, por volta do ano 200, compilou um registo de vários costumes e práticas na igreja das gerações que o precederam. O seu Tradição Apostólica contém a seguinte declaração:
“Em resumo, os primeiros cristãos praticavam exatamente o que 1 Coríntios. 11 diz: os homens oravam com as cabeças descobertas. As mulheres oravam com as cabeças cobertas. Ninguém contestava isso, independentemente de onde vivessem - Europa, Médio Oriente, Norte de África ou Extremo Oriente.” [Tradição Apostólica de Hipólito].
Durante a Idade Média, as mulheres Cristãs mantiveram o uso do véu. Estes véus eram bastante grandes. Para se ter uma ideia, o véu tradicional usado pelas freiras católicas romanas baseia-se no estilo de véu usado pela maioria das mulheres Cristãs da Europa na Idade Média.
De facto, o registo histórico é muito claro. Revela que desde a primeira geração de crentes até há pouco menos de 100 anos todos entenderam a cabeça coberta como sendo um véu de pano e NÃO o cabelo comprido, ou outro conceito qualquer.
Tertuliano declarou que mesmo as mulheres que não desejaram seguir o ensinamento de Paulo não alegaram que Paulo se referia ao cabelo longo como sendo o véu. Disse também que ninguém na Igreja primitiva afirmou que as instruções de Paulo eram apenas uma concessão à cultura Grega, dizendo igualmente que ninguém disse que tivessem alguma coisa a ver com prostitutas ou sacerdotisas pagãs - alegações que não passam de meras invenções da igreja moderna, pois não há disso nenhuma evidência histórica; bem pelo contrário.
A antiga cidade de Corinto, com o seu sistema de prostitutas no templo foi destruído em 146 A. C.. Júlio César reconstruiu Corinto cem anos depois. 1 Coríntios foi escrita, 200 anos depois do sistema de prostitutas do templo ter sido destruído, pelo que esse argumento não tem qualquer sentido. O argumento de alguns de que Paulo estaria aqui a defender o uso do véu, circunscrita e circunstancialmente, apenas para não ofender as mulheres que não queriam identificar-se com as prostitutas do templo, não faz, pois, qualquer sentido.
Cobrir a cabeça com véu não foi uma mera prática apenas dos primeiros Cristãos. Pelo contrário, até ao século XX, praticamente todas as mulheres Cristãs usaram uma cobertura para a sua cabeça, ou véu. A partir de então a prática desapareceu gradualmente de muitas igrejas, que deixaram de exigir que as mulheres cobrissem as suas cabeças durante os cultos.
A prática começou a cessar por volta de 1930 e começou a firmar-se em 1950. A partir daí as mulheres tornaram-se neste aspeto cada vez mais decadentes e insolentes na sua postura, mesmo eventualmente não tendo disso consciência.
Quando as mulheres deixaram de cobrir as suas cabeças as primeiras razões que apresentaram foram: "esta é agora a nossa forma de proceder", ou "não nos cobrimos simplesmente porque não nos cobrimos mais". Os seus argumentos eram tão lógicos como dizer, "eu mato, porque mato." Depois ouviram-se razões como, “isso foi lá atrás, naquele tempo e cultura", etc. Tal raciocínio é ilógico, contraditório e desonesto, na melhor das hipóteses, pois ignora completamente o facto de que as mulheres USARAM UNIVERSALMENTE O VÉU até há cerca de cem anos atrás."
O uso de TECIDOS COMO VÉU para cobrir a cabeça em adoração foi, pois, universalmente a prática das mulheres Cristãs até o século XX. O que aconteceu? Será que, de repente, descobriram alguma verdade bíblica para a qual os santos durante milhares de anos estavam cegos? Ou foram antes pontos de vista de mulheres que foram corrompidas pelo movimento feminista moderno que se infiltrou na Igreja de Jesus Cristo?
Entre os reformadores protestantes, a esposa de Martinho Lutero, Katherine, usava véu no culto público e John Knox e João Calvino ambos requereram que as mulheres usassem véu no culto público.1 Entre os comentaristas à Bíblia que defendem o véu durante culto público destacamos, entre um vasto universo, John Gill, Charles Spurgeon, John Wesley, Matthew Henry, A. R. Fausset, A. T. Robertson, William Barclay, John Murray, G. G. Findlay, M. R. Vincent, Harry A. Ironside e Charles Caldwell Ryrie. Na verdade, até o século XX não houve nenhum teólogo reformado que ensinasse contra as mulheres cobrirem a cabeça em culto público.
Somos ainda do tempo em que na Igreja Católica Romana as mulheres casadas usavam véu preto e as solteiras véu branco. Até os católicos, com todos os seus desvios e abusos na Idade Média, foram obedientes no uso do véu.
A rainha Vitória, de Inglaterra, uma crente fiel exemplar, quando um dia um grupo coral cantava o célebre hino “Coroai-O”, ergueu-se, tirou a coroa real da sua cabeça e colocou-as aos seus pés, atribuindo desse modo toda a glória ao seu Salvador. Esta mesma rainha teve uma outra atitude na sua vida que ainda admiramos mais: decidiu usar (e usava) o véu; casou-se, por exemplo, com véu – acessório proibido a uma rainha na época.
Ora, sabermos que houve uma rainha que usou o véu, não podendo, e que agora há mulheres que o não usam, podendo, humilha-nos.
É deveras lastimável que nos tempos modernos quase todas as igrejas tenham desprezado este ensino.
Como ontem, o Senhor diz-lhes hoje:
“Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões” (Jer. 3:22a).
Oh, que como também ontem, o Senhor ouça:
“Eis-nos aqui, vimos a Ti; porque Tu és o Senhor nosso Deus” (Jer. 3:22b).
A nossa oração é simples, mas pungente: “… renova os nossos dias como dantes” (Lam. Jer. 5:21).
Atentemos agora para o ensino de 1 Coríntios 11.
____________________________
1 John Knox, "The first blast of the trumpet against the monstruous regiment of women", Works of John Knox, David Laing, ed. (Edinburgh: Printed for the Bannatyne Club), IV:377[non-primary source needed].
Seth Skolnitsky, trans., Men, Women and Order in the Church: Three Sermons by John Calvin (Dallas, TX: Presbyterian Heritage Publications, 1992), pp. 12,13.[non-primary source needed].
Commentary on 1 Corinthians 11:2-16 (and related passages)[self-published source?] Epistle to the Corinthians, H. A. Ironside, 1938, pp. 323-340.
(Continua)
- C.M.O.