O Véu feminino tem, ou não, base bíblica? (VIII)

CMO 29OUT17b

 

 A profecia das mulheres

     “Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.” (Ver. 5). 

     Como se explica aqui a alusão das mulheres profetizarem? O Apóstolo Paulo não diz na 1ª Carta a Timóteo,
 
     “NÃO PERMITO, porém, QUE A MULHER ENSINE, NEM USE DE AUTORIDADE sobre o marido, mas que ESTEJA EM SILÊNCIO (2:12)? 
 
     Não está escrito que “… o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação” (1 Cor. 14:3,4), ou seja, ensina?
 
     Como se explica que a mulher seja aqui vista a romper o silêncio, profetizando?
 
     A mulher é vista a profetizar em Corinto numa situação temporária de exceção, como resultado do cumprimento de uma profecia de Joel. 
 
     Eis a explicação:
 
     Já anteriormente referimos que “a carta aos Coríntios foi escrita durante o período intermédio dos Atos” e noutros artigos mostrámos como o Livro dos Atos é um livro transicional, ou seja, revela a transição ocorrida da Lei para a Graça, da velha dispensação para a nova dispensação da graça de Deus; começa com Pedro e termina com Paulo; começa em Jerusalém e termina em Roma. O Livro dos Atos revela, pois, a transição do poder Judaico para o poder Gentílico; revela a transição do programa do povo terreno de Deus (Israel) para o programa do seu povo celestial (a Igreja, o Corpo de Cristo). 
 
     A conversão de Saulo de Tarso deu início à dispensação da graça de Deus (Atos 9; Efé. 3.1,2). Porém, o novo programa da Graça a que Deus dera início, não foi implementado de forma instantânea. O Senhor introduziu-o progressivamente, à medida que ia dando revelações sucessivas ao apóstolo Paulo (Atos 26.16; 2 Cor 12.1). Do mesmo modo, o velho programa foi abolido progressivamente, e não de forma abrupta. A parede de separação não caiu de uma assentada; foi sendo derrubada tijolo a tijolo. É por isso que lemos: 
 
     «... derribando a parede de separação que estava no meio» (Efe. 2.14). 
 
     Não lemos que Deus derribou (ato súbito, instantâneo), mas que foi “derribando” (ato gradual, sucessivo). Tendo a mudança dispensacional sido gradual e não abrupta, é natural que encontremos, em simultâneo, verdades “contraditórias”, uma vez que a Profecia e o Mistério coexistiram no período do Livro dos Atos.
 
     É assim que se compreende, por exemplo, que ainda se circuncide, batize, fale línguas, cure, guarde a lei, etc., numa altura em que estava a ser revelado que já não havia lugar para essas coisas na nova dispensação. 
 
     O período dessa transição, que se iniciou em Atos 9 com a conversão de Paulo, estende-se até Actos 28.28 (fim do Livro), quando finalmente Deus suspendeu os Seus tratos com a nação de Israel, por causa da sua obstinada incredulidade e rejeição definitiva. Este facto encerrou o período de transição, em que os programas da nova e da velha dispensação coexistiram.
 
     Ora, foi nesse período transicional de coexistência de ambos os programas que Paulo escreveu a 1ª Carta aos Coríntios e outras. Não é pois de estranhar que encontremos nela, ainda ativos, o dom das línguas, das curas, o dom da profecia, e as mulheres profetizarem.
 
     As cartas que Paulo escreveu depois de Atos 28.28 são as cartas que ele escreveu da prisão em Roma, usualmente chamadas de prisionais. Nelas já não encontramos nenhum vestígio do programa da velha dispensação. 
 
     As mulheres, como dissemos acima, são vistas a profetizar em Corinto, como resultado do cumprimento parcial de uma profecia de Joel ocorrida num período em que o programa profético ainda não tinha sido posto completamente de parte. 
 
     Joel profetizou que nos “últimos dias” aconteceriam coisas anormais, a saber, 
 
     -  o sol converter-se em trevas (não é normal)
 
     -   a lua converter-se em sangue (não é normal)
 
     -   os velhos terem sonhos (não é normal; o normal é os jovens terem sonhos)
 
     -   os jovens terem visões (não é normal; o normal é os velhos terem visões)
 
     -   as filhas profetizarem (não é normal; o normal é os homens profetizarem) (Joel 2:28-31).
 
     Quando estas coisas começaram a ocorrer em Pentecostes, Pedro disse que aquilo era o cumprimento da profecia de Joel:
 
     “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:
 
     “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos;
 
     “E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas naqueles dias, e profetizarão;
 
     “E farei aparecer prodígios em cima, no céu: e sinais em baixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumo.
 
     “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue antes de chegar o grande e o glorioso dia do Senhor” (Atos 2.16-20). 
 
     Notemos que esta profecia de Joel começou a cumprir-se, mas não toda, pois, apesar dos velhos terem tido sonhos, os jovens visões e as filhas terem profetizado, o sol não se converteu em trevas nem a lua em sangue. O cumprimento da última parte da profecia daria início à Grande Tribulação, o juízo implacável de Deus sobre a humanidade. O começo da Grande Tribulação teria acontecido então, não tivesse Deus interrompido o curso desta profecia para, em vez de derramar o Seu juízo que, tudo indicava, sucederia naquele momento, abrir um parêntesis de graça salvando o líder da rebelião, Saulo de Tarso, querendo que esse gesto revelasse o que Ele pretendia fazer com o resto da humanidade – salvá-la pela Sua graça.
 
     Vemos, portanto, que o profetizar das mulheres foi uma situação excecional, circunstancial, ocorrida num período em que o programa da Profecia ainda decorria. À semelhança de outras rubricas do programa da Profecia o profetizar feminino ainda se praticou durante algum tempo, mas naturalmente acabou por deixar de acontecer com a entrada definitiva do programa do Mistério no final do período dos Atos.
 
     Esta explicação também se aplica às quatro filhas de Filipe que “profetizavam” (Atos 21.9). 
 
     Hoje não se pode, pois, legitimar que as mulheres profetizem, falem – e ensinem - nas igrejas, utilizando estes exemplos como justificação.
 
     Todavia há ainda uma questão óbvia que ressalta nesta passagem (1 Coríntios 11). Paulo mencionou a atividade tanto de homens como mulheres na oração e profecia, e três capítulos depois proíbe as mulheres de tomarem parte audível nas reuniões de igreja
 
     “As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei” (1 Cor. 14:34). 
 
     Acautelando a questão da inspiração divina das Escrituras, que é intocável, podemos estar certos de que Paulo não mudou de ideias tão depressa nem se contradisse. É um facto que as instruções a Timóteo (1 Tim. 2:12) concordam com 1 Cor. 14:34 e que a constatação das mulheres profetizarem em Atos 21:9 e em 1 Cor. 11:5 tem a ver com o cumprimento da profecia de Joel. Sendo assim, porque é que Paulo não proibiu logo as irmãs de falarem no capítulo 11, tendo esperado até ao capítulo 14 para o fazer?
 
     Em parte alguma nesta epístola Paulo se contradiz - não nos esqueçamos que, também ele, escreveu inspirado pelo Espírito Santo de Deus. 
 
     Nós encontramo-lo a usar o mesmo princípio de atuação nos capítulos 8-10 de 1 Coríntios, quando Paulo responde às questões acerca dos Cristãos comerem alimentos oferecidos aos ídolos. Paulo não condenou imediatamente o mal, fazendo-o apenas mais adiante, no capítulo 10:20,21. Notemos bem que ele “tolerou”, por assim dizer, a prática no capítulo 8 quando já sabia que esta estava errada.
 
     Paulo agiu de modo semelhante ao tratar do lugar das mulheres na igreja em Corinto. “Tolerou”, por assim dizer, que elas falassem no capítulo 11, proibindo, mais adiante, que o fizessem no capítulo 14. Ele procedeu deste modo porque estava a tratar separadamente de duas questões diferentes. No capítulo 11 o assunto importante era a postura das mulheres, enquanto que no capítulo 14 a questão em apreço eram as suas atividades. Em 1 Tim. 2.9-14 Paulo seguiu precisamente a mesma ordem: primeiro abordou a postura das mulheres, depois abordou as suas atividades.

     Em suma, de acordo com a doutrina que Paulo recebeu do Senhor para a atual dispensação da graça de Deus, quando a igreja se reúne as mulheres estão proibidas de ensinar na igreja, de usar de autoridade sobre os homens, devendo estar em silêncio. E, nunca nos esqueçamos, devem colocar-se em lugar de sujeição, cobrindo-se com véu. 
 
(Continua)
 
- C.M.O.

 

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